Graffiare #484
Steve JobsSeu trabalho ocupará boa parte de sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazendo o que você acredita ser um grande trabalho. E a única maneira de fazer um grande trabalho é fazendo o que você ama. Se você ainda não encontrou um grande trabalho, siga procurando. Não desista. Como em tudo o que se refere ao coração, você saberá quando encontrá-lo. E, como em todo grande relacionamento, ficará cada vez melhor. Então, continue procurando. Não desista.
Criando Inimizades
Está bombando no Twitter: Google compra (ou torna pública a intenção de comprar) a Motorola Mobility. Peso da brincadeira: US$ 12 bi e uns quebrados.
Parece movimento meio intempestivo. Parece… gosto por briga. Briga 1: A Motorola é uma das empresas que mais sofrem com ações relativas a patentes. É certo que boa parte das ações, particularmente aquelas colocadas pela Microsoft, miravam indiretamente a Google. Agora, em se concretizando o negócio, a Google coloca seus próprios advogados na linha de frente. Numa briga pra lá de quente. E curiosa: segundo notícia que rodou dias atrás, a Microsoft “lucra” US$ 1 bi com as vendas de dispositivos empurrados pelo Android.
Briga 2: A Google agora se torna concorrente de seus principais parceiros, entre eles Sony, LG, HTC e Samsung. Ainda é cedo, muito cedo pra dizer como essas empresas receberão o movimento da firma de Page & Brin. Elas não têm muitas alternativas além do Android. Mas é fato que a jogada da Google é muito arriscada. Uma debandada no médio prazo significaria considerável queda da participação do Android no mercado.
No meio de tantas dúvidas, uma quase certeza: foi só o Sr. Sanjay Jha, CEO da Motorola, sussurrar a possibilidade de um acordo com a Microsoft para uso do Windows Phone, a Google foi lá e NHOC! Bye Bye Moto…
Descolados
Quando pipocou a penúltima ou última grande crise econômica, ali nos idos de 2008, Pindorama passou praticamente ilesa. Çábios e sabidos daqui disseram que estávamos “descolados”. Não foi só uma “marolinha” que nos atingiu, mas realmente a grande maioria da população mal soube que havia uma crise em escala mundial.
Outro “descolamento” chama mais a atenção. A Apple acaba de ultrapassar a Exxon e se tornar a empresa mais valiosa do mundo. Mais precisamente, desde ontem a Apple vale a bagatela de US$ 337,2 bi. Tem receita anual de US$ 28,6 bi, que gera um lucro líquido superior a US$ 7 bilhões.
Tudo isso enquanto a economia estadunidense enfrenta um de seus piores momentos na história. Você tem noção do tamanho da encrenca? Não? Então dá uma olhada em USDebt.kleptocracy.us, que apresenta de forma didática e terrivelmente assustadora o tamanho do rombo. Só a venda a vista e sem descontos de 340 Apples o cobririam. Ou, em comparação que faz um pouco mais de sentido: o Brasil teria que entregar toda a riqueza que produz (PIB) por 58 anos consecutivos para saldar tamanho papagaio.
Vai chegar a hora em que alguém vai aparecer e sugerir: “vamos zerar e começar tudo de novo?” e ninguém vai chamá-lo de louco. Podes crer!
The Long Boom
Tenho o costume (ou mania) de guardar algumas revistas velhas. Nos últimos dias uma edição da Wired pipocou diversas vezes em minha memória. Toda vez que via alguma notícia sobre a economia dos EUA ou da Europa, o quebra-quebra em Londres, a “primavera” Árabe que parece não acabar, os estudantes do Chile, o doido neo-nazista norueguês, o trem-bala chinês e a aparente estabilidade tupiniquim. A matéria de capa, The Long Boom, prometia contar a “História do Futuro 1980 – 2020″. Acho que foi o tom exageradamente otimista e os bons argumentos para ele que me fizeram conservar a revista. Na época, eu planejava minha mudança para Sampa e acho que aquele artigo deu um dos últimos empurrões. O mundo que se desenhava, baseado em abertura, conectividade e responsabilidade com o futuro, era muito bonito. E eu queria estar mais perto dele. Ou, colocando de outra forma, queria chegar antes.
Entre 1998 e 2000 vimos pelo menos duas sérias crises financeiras, a segunda conhecida como “estouro da bolha”. Setembro de 2001 dispensa comentários. A exuberância irracional prosseguiu, apesar de diversos alertas, e chegou até por aqui. Testemunhamos alguns anos de bom crescimento econômico e avanços significativos em algumas (poucas) áreas. Lá fora as nuvens se fechavam. Há um ano as tempestades e trovoadas ficaram mais fortes. E parecem atingir todo o globo, com exceção desta república ensolarada.
As notícias ruins são tratadas como fenômenos isolados por toda a mídia. Entre os estudantes presos no Chile e os “arruaceiros” londrinos não haveria relação nenhuma. Assim como seriam independentes aqueles que protestam numa praça do Cairo daqueles que cantam em Madrid. Sinceramente, acho que não. Da mesma forma que aquele artigo da Wired destacava fundamentos comuns para justificar o nascimento da “Civilização das Civilizações”, acho que temos um pequeno conjunto de fatores definindo e fazendo eclodir revoltas e ensaios de revolução em todo o mundo. Me assusto mais ao perceber que entre a lista de fundamentos da Wired e as razões para os agitos atuais há denominadores comuns: educação e inovação; abertura de mercados (e transferência de empregos); mercados “conectados”… O que iniciaria um ciclo virtuoso de crescimento e prosperidade parece apresentar consideráveis efeitos colaterais.
Posso estar exagerando, como exagerou aquela revista. Afinal, os estudantes chilenos só querem “pagar menos”; Os agitadores londrinos só querem “justiça e trabalho”; Os egípcios e sírios só querem “mais liberdade”; E os somalis só querem “comida”. Será?
6 Novas Profissões “Quentíssimas”
Quem disse que a “prensa” especializada tupiniquim tem o privilégio (monopólio?) de criar listas estranhas quando o papo é sobre profissões em TI? O InfoWorld publicou no último 14/jun uma relação que renderá bons papos e risadas em sua próxima happy hour. Saca só:
- Sim, a lista é numerada. E o primeiríssimo lugar vai para um tal “Arquiteto de Negócios“. Resuminho, em uma frase: “Watch your back, dear CIO”. O resumão tá lá no {finito}.
- Cientista de Dados: os DBA’s nunca pensaram tão alto! Segundo a matéria, o leque de habilidades que este cara deve apresentar é muito amplo, vai da faxina de dados (baixa a bola e faz teu trampo, DBA!) até análises estatísticas. Uai, já não tem um tanto de gente que faz isso? Pra que um cientista agora?
- Arquiteto de Mídias (Redes) Sociais: o artigo fala em gente para cuidar do “negócio social”. Oras, todo negócio não é por natureza “social”? Eles não nascem com uma “Razão Social”? Cuidar da relação de um negócio com seus fregueses não é atribuição de um especialista ou departamento. É ou deveria ser responsabilidade de todo mundo, certo?
- Especialista em Tecnologias Móveis: Mano, diz aí, o que estão fazendo todos os analistas e desenvolvedores de sua empresa? Pelo conhecimento que eles detêm (e pelas cácas que já cometeram), não deveriam ser eles os responsáveis por “espichar” os aplicativos de negócios para o universo dos dispositivos móveis? Você já viu que tipo de tecnologia esses dispositivos utilizam? Acha que é coisa de outro mundo? Pensa de novo.
- Desenvolvedor “Mobile” Corporativo: Vale o que está escrito no tópico acima com um adendo: o artigo do InfoWorld coloca que o que diferencia este cara de um desenvolvedor ‘mobile’ genérico é a preocupação com ‘compliance’ e segurança. Sacou?
- Arquiteto de Nuvem: não tô brincando, tá lá: Cloud Architect. Só há uma certeza em relação a ele, o padroeiro. Só pode ser São Pedro, certo?
Ah, se o número de vagas nos EUA fosse proporcional à sua criatividade para criar profissões…
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Obs.: A foto utilizada, “Six @ La Rochelle“, é de Steve Cox e foi liberada sob licença CC-by.
Pulga Tupiniquim na Balança da MS, Pt. II
Em julho/2008 falei sobre a ida do Hamilton “Hammett” Veríssimo para a MS. Fico sabendo agora, novamente pela ZDNet, que Hammett (@Hammett) pulou daquela big-balança-que-não-se-mexe. Demorou. Aliás, colocando de outra maneira, durou bem mais do que eu pensava. Porque é muito difícil que uma ‘pulga’ sozinha mude a tendência de uma balança. E a balança da MS, desde sempre, pende pesadona para o outro lado. Para um lado que Hammett não acredita. Ele mesmo escreveu, quando lá entrou:
You probably remember the many times that I’ve made public my disagreement with MS, the .Net team, the ASP.Net team and even the virtualization team. I’m still carrying these disagreements, my beliefs haven’t shifted a bit. The difference is that from now on I will have a chance to make a difference, to tell people what – in my view – is wrong and how it could be fixed, directly.
O não aproveitamento de suas habilidades; o jeitão ‘waterfall’ de desenvolver produtos; o ambiente ‘tóxico’; a valorização dos esforços individuais em detrimento do trabalho em equipe; Steve Ballmer… São alguns dos motivos que Hammett contou para Mary “Jo Jo Gunne” Foley para justificar sua saída. Sua conclusão sobre o relacionamento da MS com a Comunidade Open Source merece destaque:
The internal (Microsoft) culture is about competition, which is unfortunate. MS never ceases to release projects and products with similar (or equal) open source counterparts. And they do so in the name of “our customers are demanding it” which is probably true.
What they don’t realize is that this action undermines the very ecosystem they should foster around their platform. Startups for example hardly chooses MS platform given that the perception is that there isn’t a strong open source community around it.
Acho que Hammett nunca precisou da MS. Se precisou, foi só pelo desafio. A MS também nunca precisou dele. Porque nunca entendeu o desafio proposto. Aliás, para manter os termos utilizados na primeira parte desta curta história, a MS não teve bons ouvidos.



